Gabriel Vandoni, um benemérito corumbaense e mato-grossense

Gabriel Vandoni de Barros, o Doutor Gabi, nasceu em 10 de julho de 1907. Filho de Pedro Paulino de Barros e Josefina Vandoni de Barros, pantaneiros da Nhecolândia, sempre esteve à frente do seu tempo. Foi advogado, jornalista, escritor, político, pecuarista, benfeitor da cultura pantaneira e da educação das crianças carentes em Corumbá. Faz parte da história do velho Mato Grosso integrado por ter expressado o sentimento do homem pantaneiro na defesa de sua cultura e pecuária tradicional, assumindo posições de destaque nas decisões da política regional como influente articulista dos jornais que fundou.

Personagem marcante na história e luta incessante de Corumbá, Doutor Gabi despertaria, depois de se formar advogado pela Faculdade de Direito de São Paulo, o espírito filantrópico no retorno a sua terra natal. Prestou relevantes serviços nas áreas em que atuou, sobretudo na defesa e difusão da cultura pantaneira e no acesso da comunidade carente a uma educação de qualidade.

Foi casado com Augusta Gomes da Silva Barros, dona Neta, a companheira que lhe deu o estimulo necessário para tornar realidade seus ideais e não tropeçar nas pedras do caminho. Ainda na juventude, morando em São Paulo, foi redator do jornal Diário da Noite, no qual publicou a histórica entrevista com o revolucionário Luis Carlos Prestes, quando este se encontrava refugiando na fronteira com a Bolívia após comandar a Coluna Prestes.

De volta a Corumbá, fundou os jornais A Razão e O Momento, e idealizou e criou o Museu do Pantanal, onde hoje se encontra a Casa de Cultura Luiz de Albuquerque (ILA). Em 1982, com recursos próprios, construiu a Casa Massa Barro, situada no bairro da Cervejaria, um templo de arte e de cultura regional que abriga e transforma crianças em situação de risco em artesãos. Também criou e manteve, durante anos, a Creche Santa Rosa, na Rua Colombo, estabelecimento filantrópico destinando a cuidar das crianças enquanto as mães trabalham em várias atividades.

Na área educacional, estendeu a mão de benfeitor ao desenvolver um projeto de expansão do pré-escolar – iniciativa revolucionária na época – construindo 13 espaços anexos às escolas públicas, em formato de estrela, um marco na educação de Corumbá e Ladário. A primeira obra foi a construção, em terreno próprio, do prédio onde hoje funciona a Escola Estrelinha Verde, na Avenida Porto Carrero.

Como escritor, publicou os seguintes livros: “A Burla do Voto na Republica Nova”, em 1934; “Origem da Coligação Mato-Grossense”, em 1936; “Cuiabá, Terra Agarrativa” (trovas), em 1951; e “A Rosa e o Vento” (trovas), em 1967. Ocupou a cadeira nº. 12 da Academia Mato-Grossense de Letras e a de nº. 20 da Academia Corumbaense de Letras, da qual foi um dos fundadores.

Com o próprio punho, em escritura pública, assinou termo de doação ao Governo do Estado de Mato Grosso do Sul do acervo da sua rica biblioteca, com mais de 30 mil volumes, que hoje está na Casa de Cultura Luís de Albuquerque (ILA), aberta aos pesquisadores, estudantes e a todos que desejam ampliar os conhecimentos sobre os mais variados assuntos.

Doutor Gabi faleceu em 8 de julho de 1988, no Rio de Janeiro, dois dias antes de completar 81 anos. O centenário de seu nascimento foi amplamente celebrado em Corumbá, em julho de 2007, quando o prefeito Ruiter Cunha decidiu manter viva sua história, transformando o imóvel em uma referência à cultura corumbaense.

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