Rede pede sensibilidade no enfretamento ao tráfico de pessoas

  Marcos Boaventura
  

“É preciso conscientizar toda a população sobre o problema do tráfico de pessoas”, observou Maria Lúcia

A Rede de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas de Corumbá e Ladário encerrou, na noite de ontem (8), no Centro de Convenções do Pantanal Miguel Gómez, a campanha de “16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher”, realizada conjuntamente pelas prefeituras de Corumbá e Ladário. Durante a mesa de diálogo sobre o “Tráfico de Pessoas na Fronteira Brasil/Bolívia”, especialistas no assunto apontaram as dificuldades e os métodos para identificar e combater esta prática criminosa.

“Este é um assunto muito complexo, amplo e que, muitas vezes, acaba sendo confundido e definido como coisa normal da fronteira. É preciso conscientizar toda a população sobre esse problema”, afirmou a Secretária de Promoção da Cidadania, Maria Lúcia Ortiz Ribeiro, que representou o prefeito Ruiter Cunha de Oliveira (PT) no debate. “A administração municipal é comprometida com a causa e não tem medido esforços em buscar meios e instituir políticas públicas para combater este mal”, completou.

O secretário executivo de Relações Institucionais, Carlos Porto, lembrou que a dificuldade de se eliminar o problema passa pelas diferentes interpretações que cada pessoa faz sobre o tema, a exemplo do que também ocorre com o tráfico de drogas e o preconceito racial. “Como gestores públicos de Corumbá, Ladário e das cidades bolivianas da fronteira, nós temos a responsabilidade de fomentar a criação de condições necessárias para dar este alerta à população e estimular a coragem de toda a sociedade para enfrentar tal situação”, disse.

“Este é um assunto que precisa ser levado para nossos filhos, para dentro das nossas casas”, complementou o secretário de Assistência Social de Ladário, Juvenal Ávila. Ele lamentou o fato de dezenas de “irmãos bolivianos” deixarem a região todos os dias rumo aos grandes centros do Brasil, principalmente São Paulo. “Eles vão em busca de melhores condições de vida, mas quase sempre encontram miséria e escravidão”, acrescentou.

O fato foi confirmado pelo cônsul da Bolívia em Corumbá, Juan Carlos Mérida Homero. “Atualmente o tráfico de pessoas é um dos delitos internacionais, depois do tráfico de drogas e de armas, que mais dá lucro no mundo. Lamentavelmente, muitos bolivianos são presas fáceis para estes traficantes”, observou.

Também presente na mesa de discussão, o juiz Roberto Ferreira Filho, da 1ª Vara Criminal e diretor do Fórum da Comarca de Corumbá, demonstrou preocupação com o que ele definiu como “hipocrisia social” que ainda existe no Brasil. “Precisamos dizer não a todo tipo de violação dos direitos humanos, mas principalmente à exploração do homem pelo homem”.

Coordenadora da discussão, a gerente de Articulação de Políticas Públicas para a Mulher de Corumbá, Cristiane Santana, reforçou que o tráfico humano é resultado de uma rede organizada e fortemente atrelado à exploração sexual, ao comércio de órgãos, à doação ilegal, à pornografia infantil, às formas ilegais de imigração. O encontro foi encerrado com a palestra de Estela Scandola, do Instituto Brasileiro de Inovações Pró-Sociedade Saudável do Centro-Oeste (IBISS/CO).

Rodrigo Nascimento – Subsecretaria de Comunicação Institucional