Centro de Oncologia de Corumbá é referência na região pantaneira

  Marcos Boaventura
  

A capacidade de atendimento do centro deve-se à Capela de Fluxo Laminar, responsável pela manipulação das drogas da quimioterapia

Inaugurado em agosto de 2006, o Centro de Prevenção e Tratamento em Oncologia Dr. Hugo Costa começou a realizar os procedimentos de quimioterapia somente em janeiro de 2008, depois que a Prefeitura de Corumbá firmou convênio com a Rede Feminina de Combate ao Câncer. Em dezembro de 2007, o Município repassou R$ 100 mil à entidade para aquisição de medicamentos e maquinários. No ano seguinte, o valor do convênio dobrou, atingindo R$ 200 mil. Em 2009 foram mais R$ 200 mil investidos, o que refletiu diretamente na qualidade do serviço oferecido à população.

Nestes dois anos de funcionamento pleno, a unidade já se transformou em referência no tratamento de câncer para as cidades pantaneiras e da fronteira com a Bolívia. “Hoje, recebemos pacientes de Miranda, Bonito, Bodoquena e também do país vizinho, todos em busca da qualidade do serviço prestado aqui”, afirmou o médico Marco Antônio Cazzolato, responsável técnico pelo serviço de oncologia.

O médico enfatiza que a capacidade de atendimento do centro deve-se, em grande parte, ao aparelho chamado Capela de Fluxo Laminar, responsável pela manipulação das drogas que compõem a quimioterapia. O equipamento, cujo valor atualizado gira em torno de R$ 120 mil, foi adquirido pelo Município em 2006 e tem capacidade para trabalhar 12 horas ininterruptas, “o que é mais do que suficiente para atender a nossa demanda, tratando de no mínimo 16 pessoas (leitos) por dia”.

Antes da ativação do centro, todos os pacientes eram encaminhados para Campo Grande. Dados da Secretaria Estadual de Saúde apontam que, atualmente, Corumbá tem 208 pacientes em tratamento quimioterápico. Destes, 150 são medicados na própria cidade. É o caso de Venina da Silva Arruda, 66 anos, moradora do Assentamento 72. “Aqui fico perto da minha casa, dos meus filhos. A família é muito importante nesta hora”, disse a dona de casa, durante sua primeira sessão de quimioterapia.

Em outubro deste ano, ela precisou passar por uma cirurgia de vesícula e, depois de novos exames, os médicos a encaminharam para o tratamento. “Fizemos todo o acompanhamento aqui mesmo em Corumbá, desde a detecção da doença até agora”, contou a filha Enilda de Arruda, 42 anos, completando: “Temos a certeza de que, com força e fé, vamos superar tudo isso”.

Mas o trabalho do Centro de Oncologia não se limita ao tratamento. “Já temos mais de 1,6 mil pacientes cadastrados. Aqui eles têm um acompanhamento contínuo”, disse Cazzolatto. Foi em busca deste serviço que Benedita Maria da Silva Ortega, 55 anos, procurou o centro. Em 1987, depois do parto do quarto filho, ela apresentou um problema no útero. Desde então, ela não descuida da saúde e faz periodicamente seus exames médicos.

“Primeiro passei pelo posto do Aeroporto. De lá fui encaminhada para o Transbordo (Centro de Especialidades Médicas), onde o médico me mandou vir para cá”, contou, acrescentando: “Aqui o atendimento foi uma beleza. O médico me explicou tudo muito bem e pediu para eu voltar daqui a seis meses. Graças a Deus, os exames não deram nada”.

Mais de 90% dos atendimentos são feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), embora com recursos do próprio Município. “Hoje, só são encaminhados para Campo Grande alguns casos mais complexos, como para a radioterapia. E o número de encaminhamentos seria ainda menor se o centro fosse credenciado pelo SUS”, explicou Marco Antônio. “Este procedimento possibilitaria estender o tratamento a outros tipos de câncer, aumentando a categoria do hospital para Alta Complexidade, que hoje é de Pequena e Média complexidades”, complementou.

De acordo com responsável técnico pelo serviço de Oncologia, o credenciamento pode fomentar, inclusive, a vinda de mais recursos para a Santa Casa de Corumbá, “vislumbrando uma possibilidade maior para a aquisição de aparelhos médicos”. O processo de credenciamento depende da emissão de um alvará sanitário para a Santa Casa. Recentemente, a Vigilância Sanitária do Estado vistoriou e aprovou as instalações do centro.

O Centro de Oncologia conta hoje com o trabalho de 10 pessoas: uma enfermeira, duas técnicas em enfermagem, duas recepcionistas, um cancerologista clínico e quatro cirúrgicos. Em Corumbá, os tipos de câncer mais frequentes são de reto e intestino. A unidade oferece, ainda, tratamento para os casos de mama, parte ginecológica, gastro-intestinal e de pele.

Rodrigo Nascimento – Subsecretaria de Comunicação Institucional