Com restauração iniciada, Corumbá redescobre o Hotel Galileu

 Marcos Boaventura
  

Estão previstas intervenções para recuperação do piso, forro, portas, paredes, instalações hidráulicas e elétricas

A restauração do Hotel Galileu vai permitir o resgate histórico de um dos mais antigos prédios de Corumbá, tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional. As obras já foram iniciadas e os investimentos somam R$ 511.555,85, recursos oriundos do Ministério do Turismo, com contrapartida da Prefeitura Municipal de R$ 82,5 mil. Após a conclusão e, por decisão do prefeito Ruiter Cunha de Oliveira (PT), o local será transformado no novo Centro de Atendimento ao Turista.

Estão previstas intervenções para recuperação do piso, forro, portas, paredes, instalações hidráulicas e elétricas, além da construção de banheiros. Segundo o arquiteto José Marcos da Fonseca, da empresa Marco Arquitetura, Engenharia, Construção de Comércio Ltda., responsável pela restauração, será um trabalho minucioso.

“Temos que seguir os preceitos tecnicamente corretos para executar a restauração. O primeiro passo, já em andamento, é a utilização de técnicas exploratórias para descobrir as técnicas construtivas da época, bem como as alterações ocorridas ao longo dos anos de ocupação. Enfim, um levantamento minucioso para, então, iniciar realmente a restauração”, explicou o arquiteto, responsável pela restauração de outros prédios históricos na cidade.

José Marcos revelou algumas descobertas no antigo prédio, como pinturas decorativas escondidas por outras pinturas. “Por meio da prospecção pictórica, está sendo possível a descoberta de pinturas parietais nas paredes, que serão restauradas ou mesmo isoladas, para mostrar como era, servir de testemunho”, explicou.

O arquiteto afirmou que, até o momento, já foi possível constatar quatro camadas de pinturas diferentes. “Temos que levantar tudo, descobrir, catalogar, para depois definir o que será feito”, comentou, destacando que já foram descobertas pinturas com motivos florais, geométricos, entre outros.

Com relação ao piso, o arquiteto adiantou que já estão sendo identificadas as formas para fabricação de peças semelhantes, que estará a cargo dos artesãos que integram a Oficina Escola de Ladrilho Hidráulico. “O que não for possível recuperar, vamos isolar para deixar como testemunho, substituindo as peças danificadas por peças semelhantes”, completou.

Intervenção

Esta é a segunda intervenção no prédio do Galileu nos últimos anos. Antes, a própria empresa já havia realizado serviços no local para restabelecer o equilíbrio estrutural da edificação. Na época, ocorreram algumas descobertas, que foram protegidas para evitar que se perdessem. As obras emergenciais foram contratadas pelo próprio Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), parceiro da prefeitura na restauração e recuperação do patrimônio histórico.

José Marcos destacou que não basta recuperar. “Depois de finalizada a intervenção, é preciso dar utilização correta para preservar o que foi feito. A Prefeitura já está estudando o caso e, com a implantação do Centro de Atendimento ao Turista, será possível preservar aquilo que está sendo restaurado”, destacou, lembrando que o trabalho de prospecção pictórica está a cargo de uma especialista, que executará o mesmo serviço realizado nos prédios Sleiman, Wanderley Baís e na Casa da Alfândega.

Um dos mais expressivos exemplares arquitetônicos da região, situado na esquina da Avenida General Rondon com a Rua Frei Mariano, o prédio completou 102 anos de existência. Foi construído em 1907 pelo arquiteto italiano Fernando Mármore, em estilo eclético, variando entre o neoclássico o art-noveau.

Em dezembro de 2006, o prefeito Ruiter assinou decreto desapropriando o prédio, como forma de preservar o imóvel que, na época, se encontrava em avançado processo de deterioração. Tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional, o imóvel orna o conjunto arquitetônico localizado na General Rondon, com vista privilegiada para o rio Paraguai e o Pantanal. Foi de uma janela do Galileu que o sanfoneiro Mário Zan compôs o sucesso nacional “Chalana”.

O hotel tem uma área construída de aproximadamente 1 mil metros quadrados, incluindo o anexo situado na Rua Frei Mariano, que também foi um hotel (Internacional) e será restaurado pelo Município, com recursos do Programa Monumenta, edificado ainda na primeira década do século passado. Seus registros de hóspedes incluem nomes ilustres como os ex-presidentes Getulio Vargas e Franklin Roosevelt (EUA).

Antônio Carlos – Subsecretaria de Comunicação Institucional