Corumbá vai integrar banco nacional de doadores de medula

 Marcos Boaventura
  

  O encontro reuniu agentes comunitários de saúde, auxiliares etécnicos de enfermagem

A Prefeitura Municipal de Corumbá, através da Secretaria Executiva de Saúde, realiza nos dias 24 e 25 deste mês campanha para cadastrar possíveis doadores de medula óssea no Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea). A ação foi discutida nesta manhã durante reunião entre representantes do Hemosul (Centro Hematologia Hemoterapia de Mato Grosso do Sul-Geral) e da Secretaria de Saúde Pública.

“O encontro de hoje reuniu agentes comunitários de saúde, auxiliares e técnicos de enfermagem das Estratégias de Saúde da Família (ESF) e dos Postos de Referência”, disse a enfermeira coordenadora das equipes de Saúde da Família, Elisângela Lira Bonifácio. “São estes funcionários que auxiliarão na coleta do material genético e na divulgação da campanha”, explicou.

Para o dia 23, está prevista a realização um pedágio educativo para envolver a população corumbaense na campanha. O calendário completo, com locais e horários das coletas, será divulgado em breve pela Saúde.

“Nosso objetivo é ampliar o banco de dados trazendo indivíduos e cadastrando possíveis doadores”, afirmou Lucéia Maria Fernandes da Silva, do setor de medula do Hemosul. Ela explicou que a coleta é rápida e simples, como um exame normal de sangue (10 ml). Além disso, o voluntário preenche uma ficha, que é encaminhada para o laboratório de análise genética em Campo Grande junto com o material colhido para análise.

Os dados do doador são inseridos no cadastro do REDOME e, sempre que surgir um novo paciente, a compatibilidade será verificada. Uma vez confirmada, o doador será consultado para decidir quanto à doação. O transplante de medula óssea é um procedimento seguro, realizado em ambiente cirúrgico, feito sob anestesia geral, e requer internação de, no mínimo, 24 horas. Para ser doador é preciso ter entre 18 e 55 anos de idade e gozar de boa saúde.

Redome

Quando não há um doador aparentado (um irmão ou outro parente próximo, geralmente um dos pais), a solução para o transplante de medula é procurar um doador compatível entre os grupos étnicos (brancos, negros amarelos etc.) semelhantes, mas não aparentados. Para reunir as informações (nome, endereço, resultados de exames, características genéticas) de pessoas que se dispõem a doar medula para o transplante, foi criado o Registro Brasileiro de Doadores de Medula Óssea (REDOME), instalado no Instituto Nacional de Câncer (INCA). Desta forma, com as informações do receptor, que não disponha de doador aparentado, busca-se no REDOME um doador cadastrado que seja compatível com ele e, se encontrado, articula-se a doação.

A média de operações realizadas pelo Inca (Instituto Nacional de Câncer) é de dois transplantes com doadores não-aparentados. Mensalmente são realizados sete transplantes do tipo autólogo (de uma pessoa para si mesma) e com doador aparentado.  Em 2004, o INCA realizou 86 transplantes, sendo 49 alogênicos (de outra pessoa) e 37 autólogos. Em 2003 foram realizados 72 transplantes (26 autólogos e 46 alogênicos).