Para Marcelo Negrão, formação do atleta começa na escola

 Prefeitura de Corumbá

  
Palestra de Negrão lotou o Espaço Educacional

Com uma vida marcada pelo sucesso e por momentos de incertezas, o atacante Marcelo Negrão, um dos maiores ídolos do voleibol brasileiro, campeão olímpico em Barcelona (92) com apenas 19 anos, está em Corumbá desde ontem, segunda-feira, cumprindo uma agenda a convite do Banco do Brasil e da Prefeitura Municipal, mantendo encontros com alunos da Rede Municipal e com professores de Educação Física. Presentes, o secretário executivo de Educação Hélio de Lima, o gerente geral do Banco do Brasil, Carlos de Oliveira Souza, entre outras autoridades.

Ontem, segunda-feira, à noite, o melhor jogador do mundo em 93, campeão por todos os clubes em que atuou e com títulos mundiais (dois) e sulamericano (três), pela seleção brasileira, se encontrou com profissionais de educação física, professores da Rede Municipal de Ensino, e também com alunos do Educação de Jovens e Adultos (EJA), da Escola Cyriaco Félix de Toledo, no Espaço Educacional, onde ministrou uma palestra, focando dois momentos de sua vida: a ascensão e as dificuldades vividas devido a uma contusão no joelho.

Negrão relatou a sua vida. Focou a importância dos estudos – parou na oitava série para se dedicar ao esporte e, já adulto, fez supletivo e iniciou faculdade na área de Marketing, trancou matrícula e hoje se dedica à sua família, à academia, ao projeto do Banco do Brasil e ao volei de praia.

Observou a importância do esporte para o desenvolvimento do jovem e fez um apelo aos professores de Educação Física, segundo ele, “um espelho para os jovens”. Pediu para que passem “auto-confiança, carinho às crianças”. Ressaltou que é preciso paciência no tratamento com os alunos. Disse que a aula não pode ser uma rotina e, se necessário, os professores devem sempre elogiar as crianças, fazer brincadeiras, alegrar o ambiente. “Vocês (professores) são o começo de um futuro campeão olímpico”, destacou.

Projeto

O atleta faz parte do projeto Embaixadores do Esporte, criado pelos companheiros Carlão, Pampa e Paulão, todos campeões olímpicos em 1992, e mantido pelo Banco do Brasil. “Foi idealizado por eles para atender ex-atletas do volei brasileiro. Mesmo estando em atividade hoje (joga volei de praia), faço parte do grupo, percorrendo o país, contando nossas experiências e dificuldades enfrentadas na carreira”, explicou.

Marcelo Negrão preferiu conversar diretamente com os presentes, sem auxílio da informática. Fez um relato da sua vida, o início em Recife, aos 10 anos; a disputa de um campeonato brasileiro infanto juvenil aos 13 anos, pela seleção de Pernambuco; contratação pelo Banespa aos 14 anos; a primeira convocação para a Seleção Brasileira, aos 17 anos; o título Olímpico aos 19; as glórias conquistadas no voleibol; as tristezas a partir de 2001, quando sofreu uma grave lesão no joelho direito, que o afastou do voleibol por praticamente dois anos; o reinício na Ulbra (RS) em 2003, onde foi campeão brasileiro; a mudança para o volei de areia, e a possibilidade de hoje, retornar às quadras, defendendo o São Paulo que planeja montar uma equipe de voleibol.

Contou detalhes da Seleção de 1992, “campeã porque tinha um grupo unido”, bem diferente de 1996, quando ficou em quinto lugar. “O título era nosso, mas havia muita desunião”. Relatou sua passagem pela Itália onde sagrou-se campeão nacional pelo Sisley (1994). O tricampeonato da Superliga Brasileiro pelo Olympikus (1996), Banespa (1997) e Ulbra (2003).

Revelou que por pouco não jogou no Mato Grosso do Sul, no início de carreira, pela Copagaz, em 1985. “Recebi um convite do Murilo Amazonas (treinador) mas o time foi extinto logo em seguida”, comentou, lembrando que jogaria ao lado de outros dois campeões olímpicos, Pampa e Carlão, que faziam parte da equipe, ao lado do corumbaense Bozó.

Grave lesão

Cansado, sem motivação, lembrou o jogo pela Seleção Brasileira contra a Holanda, em 2001, quando sofreu uma contusão no joelho. “Estava com 28 anos, desestimulado”, confessou, para mais tarde, após relatar toda trajetória de sofrimento, sem apoio, afirmar que o desestímulo foi um castigo. “Tinha tudo e fiquei sem nada”.

Com a Ulbra, um acordo de risco. Salários de R$ 1 mil por mês, mais alimentação e um fisioterapeuta para auxiliar sua recuperação. A partir daí, desafios, até readquirir a forma e voltar a conquistar título pela Super Liga em 2003. Hoje, na praia, Marcelo Negrão disputa o circuito Banco do Brasil, formando dupla com Celso, do Acre. A esperança é chegar ao circuito mundial. Considera difícil, principalmente pelo fato de necessitar de patrocínios (a dupla precisa de pelo menos 100 mil dólares), e pelo ranking  brasileiro. “Para chegar ao topo, é preciso lutar muito”.

O secretário Hélio de Lima destacou o valor de Marcelo Negrão. Conforme ele, o ídolo focou vários assuntos, inclusive de lideranças, ao lembrar comentários sobre seus dois treinadores na seleção, Zé Roberto e Bernardinho. Considerou o primeiro, com quem foi campeão olímpico, mais amigo do grupo, que transformou em uma família. Disse que este é o caminho a seguir também dentro da escola. No entender de Hélio, os professores devem ser um espelho, um líder para as crianças.