Recuperada, BR 262 será a entrada do corredor interoceânico

Brasil, Bolívia e Chile estão empenhados na implantação de um corredor interoceânico, um antigo sonho de integração baseado na ligação terrestre entre os oceanos Pacífico e Atlântico. Para os países vizinhos, a BR-262, passando pela cidade de Corumbá, é a porta de entrada do trecho brasileiro dessa rota. Para os brasileiros que terão nesse corredor uma opção de acesso ao Chile, a rodovia é a última etapa do trecho nacional da viagem.

Na primeira semana de julho, o Ministério dos Transportes assegurou que não faltarão recursos financeiros para recuperação da BR-262, e o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) lançou quatro editais para contratar R$ 276 milhões em obras. O montante é previsto para ser aplicado durante dois anos em obras de restauração da rodovia, no sub-trecho Aquidauana – Corumbá.

A licitação foi dividida em quatro lotes, compostos por segmentos de 68,6 quilômetros (valor global de R$ 39,8 milhões); 65,4 quilômetros (R$ 65,8 milhões); 82,8 quilômetros (R$ 102,9 milhões) e 65,5 quilômetros (R$ 67,7 milhões). Segundo o chefe de Serviço de Engenharia do Dnit em Mato Grosso do Sul, Guilherme Alcântara de Carvalho, as obras deverão começar pelos segmentos mais extensos, onde é maior a demanda por melhorias.

Nos dias 12 e 13 de agosto serão abertas as propostas das construtoras. Conforme Alcântara, as obras poderão ter início ainda neste ano, dependendo dos trâmites de todo o processo licitatório.

Os projetos técnicos prevêem restauração da pista de rolamento e recomposição do acostamento da estrada. A expansão lateral e a pavimentação do acostamento darão aos motoristas mais segurança quanto à saída de pista e também à visibilidade de animais que cruzam a rodovia. Com a ‘aberta’ da pista para pavimentação do acostamento, a área de vegetação roçada às margens da pista também aumenta.

Nos projetos estão incluídos cuidados ambientais, como a criação de pontos de passagem seca para travessia das espécies da fauna pantaneira. Sob as cabeceiras das pontes serão feitos aterros, e nos acessos, cercas vivas, também com objetivo de direcionar os animais para passagens seguras.

“Vamos também implantar sinalização vertical ostensiva, tanto em relação à velocidade permitida, quanto à presença de animais. Tentaremos ainda trabalhar com dispositivos eletrônicos para coibir excessos”, explica Carvalho, prevendo que a melhoria da pista pode levar alguns motoristas a pisar no acelerador.

Contorno

O pacote de licitação complementa ações que o Dnit já vem promovendo na BR-262, como a restauração de 134 quilômetros entre Campo Grande e Anastácio, feita em 2007. “Foi uma restauração considerada de baixo custo, de 15 milhões de reais, e que deu ótimas condições de trafegabilidade”, relata Guilherme Alcântara, que responde como superintendente substituto do Dnit/MS.

Há ainda a retomar a construção do anel rodoviário de Corumbá. Com cerca de 12 quilômetros de extensão, o contorno será um acesso direto para quem quer chegar à fronteira com a Bolívia sem passar pelo centro da cidade. O contrato é de 2001 e já teve serviços iniciados. O reinício só depende de liberação de recursos já alocados no Orçamento Geral da União.

Leste

Na direção oposta – no centro-leste do estado – a BR-262 também receberá restauração. Alcântara informa que até setembro estará pronto o projeto técnico de recuperação dos subtrechos Três Lagoas – Água Clara (que terá reforma mais “pesada”) e Água Clara – Campo Grande (onde as ações serão mais brandas, em função de melhorias já executadas em 2006). As obras ainda não tem cronograma de licitação, mas a expectativa é começar os trabalhos em 2009.

Além de restaurar a pista de rolamento, será feita a recuperação e nivelamento do acostamento. Em 28 quilômetros, em pontos estratégicos como aclives, a estrada contará também com terceira faixa. “O motorista vai sentir muito mais segurança. Serão 3 metros e meio de pista, mais a terceira faixa, mais o acostamento”, ressalta o chefe de Engenharia do Dnit. Os cruzamentos com a linha férrea vão ganhar pontilhões. Serão seis pontes onde hoje existem passagens de nível.

Nova Ponte

Durante o Encontro Trilateral sobre o Corredor Interoceânico, no dia 4, o diretor-geral do Dnit, Luiz Antônio Pagot, incluiu entre as obras garantidas na BR-262 a construção da ponte sobre o rio Paraná, na divisa entre Três Lagoas (MS) e Castilho (SP). Guilherme Alcântara explica que o antigo contrato firmado com uma empreiteira para execução da obra está em fase de discussão para que a obra finalmente comece.

A ponte, de 1.400 metros, é considerada essencial para tirar o tráfego de veículos que hoje passa sobre a barragem da usina hidrelétrica de Jupiá. O movimento, já intenso, deve aumentar com a entrada em operação de grandes indústrias que estão se instalando na região, como a VCP. (Com informações da Assessoria de Comunicação do Governo)