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Corumbá está em luto pela morte do radialista Antônio Ávila, ícone na cidade

31 de Outubro de 2013 - 07h48

Corumbá perde um ícone da comunicação. Morre Antônio Ávila (Foto: Anderson Gallo - Diário Corumbaense) Corumbá perde um ícone da comunicação. Morre Antônio Ávila (Foto: Anderson Gallo - Diário Corumbaense)

Vítima de um enfarto, o radialista Antônio Ávila, 69 anos, morreu em Corumbá na madrugada desta 5ª feira, 31 de outubro. Considerado um dos mais importantes nomes do rádio no Estado, Ávila começou sua carreira ainda no Mato Grosso integrado, no ano de 1960, na cidade de Cuiabá, então capital estadual.

 

Em entrevista concedida no ano de 2010 ao site do jornal Diário Corumbaense, ele contou sua trajetória profissional com mais de 50 anos na radiodifusão, o que fazia de sua história um exemplo de longa e bem-sucedida carreira como comunicador.

 

“Eu comecei no dia 17 de setembro de 1960, um domingo, naquele dia jogou Marítimos e Atlético em Cuiabá, no estádio Eurico Gaspar Dutra. Eu fui pra conhecer, fui convidado por um grande amigo meu para aprender, um dos grandes narradores esportivos de Mato Grosso, na época, Pedro Silva. Aos 20 minutos de jogo, no primeiro tempo, ele teve um problema sério na garganta e passou o microfone para eu narrar e eu fiz o trabalho”, contava Ávila.

 

Na época, ele tinha apenas 16 anos de idade e, graças ao bom desempenho naquela tarde, foi convidado para integrar o quadro de radialistas da empresa de comunicação Rádio Voz do Oeste. “Naquele dia, quando chegamos do estádio na rádio, lá estava o diretor da emissora e ele perguntou: ‘Quem é o Ávila?’. Ele mandou que eu entrasse, me levou para o estúdio e me mostrou o que era a pasta comercial da manhã, da tarde, da noite, e os textos avulsos e eu já estava empregado. Naquela época, o salário era 33 cruzeiros e eu entrei ganhando 66, comecei bem”, lembrava.

 

Desde então, ele percorreu o Brasil com aquele que se tornou seu ofício, passando por 52 emissoras do país. “Fui pra rádio Bom Jesus, de Cuiabá. De lá fui pra Rádio Branique, de Rondonópolis, daí fui para Clube de Goiânia, de onde fui para Belém do Pará. Trabalhei um ano e três meses em Belém, e depois segui para Rádio Jornal, de Itabuna, na Bahia, saí de lá e fui trabalhar na Rádio Guarani, em Belo Horizonte. Estive na Guaíba, de Porto Alegre, fiquei 11 meses, depois fui pra São Joaquim, em Santa Catarina e assim fui fazendo a minha trajetória”, descrevia.

 

Apesar de suas “andanças” pelo país, ele se dizia um legítimo corumbaense apaixonado por sua terra natal. Com muito orgulho afirmava ter nascido na região do Morro do Cachorro, na parte baixa da cidade e que nunca mais deixaria sua cidade.

 

“Eu rodei e queria voltar, conhecer minha cidade, eu nasci aqui e saí em 1948 (com 4 anos de idade) e cheguei aqui novamente dia 19 de novembro de 1969. Trabalhei na rádio Clube e na Difusora. Ainda assim, deixei Corumbá pra dar mais uma esticadinha. Estive na Globo do Rio de Janeiro, fiz o estágio de 90 dias, tive o convite para ficar na época e não perdi nada porque estou muito bem em Corumbá”, afirmava.

 

Mas a carreira de Ávila não se resumia somente à rádio, ele recordava suas passagens por emissoras de TV da época. “Eu trabalhei na TV Cidade Branca, hoje TV Morena, trabalhei com Uriel (Raghiant) e Caibar (Pereira), muitos anos na televisão aqui; trabalhei no canal 4 em Cuiabá, no Centro América, trabalhei no canal 9, do saudoso Fauze Anache”, contava.

 

Em Corumbá, ele constituiu família da qual demonstrava grande orgulho. Pai por nove vezes, sendo 8 filhas e 1 filho, Ávila era avô de 16 netos e bisavô por 4 vezes. Além da de sangue, ele tinha outra família, como costumava dizer, a do rádio. Nessa, o também radialista Jonas de Lima era o seu “maninho”. “Jonas de Lima é mais que um amigo, é um irmão de verdade. Nesse meio que há tanto ego, ele é um companheiro mesmo”, dizia emocionado.

 

Aliás, foi o Jonas que criou um apelido pelo qual Ávila era bastante conhecido. O problema era sair ileso ao chamá-lo de “Xuxa Preta”. “Foi em 1986 que ele me arranjou esse apelido e ficou porque eu xingo a mãe do cara, não quero saber quem é, se é comandante de polícia, se é advogado, se é médico, se é prefeito, xingo mesmo. Às vezes nem sei quem falou, mas a mãe dele já dançou”, contava de forma descontraída.

 

Aos 69 anos de idade, ele planejava abandonar o rádio este ano, pois apesar de aposentado, não deixava os estúdios atendendo aos apelos dos companheiros de profissão e do público fiel.

 

“Eu trabalho o dia todo, faço reportagens em todos os cantos da cidade. Onde eu chego é festa, nós nos tornamos um ídolo para a população. Eles me ligam e tenho aqui uma anotação de falta de água, outro é um buraco na rua, outro tem que procurar fulano de tal que está perdido. O rádio é assim”, falava Ávila sobre o veículo de comunicação onde se consagrou.

 

Vascaíno de coração, ele se destacava nas grandes coberturas do esporte, que é paixão nacional. Com uma memória de dar inveja a muitos, ele se recordava dos fatos com datas completas e citava aquela que considerou um dos momentos mais importantes de sua trajetória profissional. “Foi uma grande decisão do Campeonato Carioca (Vasco e Flamengo), eu e Jonas de Lima, no dia 02 de novembro de 1982. Nós fizemos a cobertura e o Flamengo ganhou com gol de Rondinelli de escanteio cobrado pelo Zico”, relembrava.

 

Ele teve o prazer de narrar uma partida da Seleção Brasileira quando tinha em sua escalação o rei Pelé. “Em 72, eu trabalhava na rádio Caçula, em Três Lagoas, e fiz Brasil e Portugal na decisão da Mini-Copa. Brasil foi tricampeão do mundo em 1970 e em 72 houve a mini-copa no Brasil que decidiu com Portugal a final, foi 1 a 0, gol do Pelé com cruzamento de Jairzinho”.

 

Ávila protagonizava uma hisórica, digamos folclórica, de cunho fúnebre. É que, por várias vezes, a notícia da morte do radislita se espalhou pela cidade e nem ele sabia a origem dos, então, boatos.

 

“É que a gente convive com essa população maravilhosa. Eu que tive problema de saúde, fiz ponte de safena, angioplastia, já passei por situações difíceis, mas os amigos sempre estiveram do meu lado. Já me acostumei com isso de 'morrer' várias vezes”, dizia o veterano profissional.

 

Infelizmente, neste último dia de outubro, a notícia não foi um boato e o radislista deixa familiares, amigos e a cidade de Corumbá em luto por saber que sua voz singular tanto quanto seu jeito descontraído de levar a vida não será mais ouvida nas ondas dos rádios da cidade.


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